MANDAMENTO 3: REVERÊNCIA
Pr. Adolfo S. Suárez
INTRODUÇÃO
No
início de 2012, uma regra criou polêmica na Itália: A Federação Italiana de
Futebol resolveu punir quem blafesmar dentro de campo. É isso mesmo. A
Federação Italiana de Futebol mandou os árbitros mostrarem cartão vermelho para
quem “evocar o nome de Deus em vão”.
O
que você acha dessa regra?
Polêmicas
à parte, essa regra traz à tona algo que tem se tornado muito comum em diversas
circunstâncias e ambientes: o nome de Deus é usado para qualquer coisa, desde piadas
de mau gosto, ameaças, brincadeiras, e inclusive para xingamento.
Muitas
vezes, a maneira desrespeitosa de se dirigir a Deus acaba se tornando ponto de
referência, modelo, especialmente quando isso vem de uma personalidade. Um
exemplo disso ocorreu no ano de 1990. Um filme estrelado por Xuxa, chamado Lua
de Cristal, popularizou uma expressão que se tornou ícone para alguns adolescentes
e jovens na maneira de se referirem a Deus. Na verdade, uma maneira mal-educada
de se referir a Deus. Na música tema do filme, a dublê de cantora Xuxa cantarolava
assim:
Tudo
que eu quiser
O cara lá de cima vai me dar,
Me dar toda coragem que puder,
Que não me falte forças pra lutar.
O cara lá de cima vai me dar,
Me dar toda coragem que puder,
Que não me falte forças pra lutar.
“O cara lá
de dima”. O que você acha disso? Você pode pensar: “É só uma expressão, sem
malícia nenhuma. Uma linguagem compreennsível ao público adolescente”.
Pense: Se
assumimos a existência de Deus, então devemos a Ele um mínimo de respeito. Numa
conversa de negócios, ou numa conversa com alguém importante, certamente “cara”
não é uma expressão utilizada. Sendo hierarquicamente inferior, ninguém se
dirige pessoalmente ao seu chefe ou gerente como “cara”. A personalidade máxima
de um país, que é o presidente, não deve ser chamado de “cara”.
Esta
conversa toda nos leva ao 3º mandamento, registrado em Êxodo 20:7: “Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão;
porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.
A Bíblia NTLH, diz
assim: “Não use o meu nome sem o respeito que ele merece; pois eu sou o SENHOR,
o Deus de vocês, e castigo aqueles que desrespeitam o meu nome”.
Enquanto que
o primeiro mandamento se refere a aspectos internos da adoração, e o segundo
mandamento se refere a aspectos externos da adoração, o terceiro mandamento se
refere aos aspectos verbais da adoração, especificamente envolvendo o nome de
Deus. O terceiro mandamento nos previne
contra a banalização do nome de Deus. Nós chamamos a isso de reverência.
Mas, o que significa
exatamente não tomar o nome de Deus em vão? Na Bíblia, o nome de Deus inclui
pelo três coisas específicas (The Expositor´s Bible Commentary, volume 2, p 423):
(1)
Sua
natureza, Seu ser, Sua própria pessoa (Salmos 20:1; Lucas 24:47; João 1:12;
Apocalipse 3:4).
(2)
Seus ensinos
ou doutrinas (Salmo 22:22; João 17:6, 26).
(3)
Seus ensinos
éticos e morais (Miqueias 4:5).
De modo que
tomar o nome de Deus em vão significa ou desrespeitar sua própria pessoa; ou
desobedecer, desrespeitar suas doutrinas; ou desobedecer, desrespeitar seus
ensino éticos e morais.
Por outro
lado, usar o nome de Deus em vão significa usar o nome de Deus sem propósito,
simplesmente sem razão, sem necessidade:
- seja de um modo leve e ingênuo, do tipo: diante
um susto, reagir com uma frase como “Ai meu Deus!”.
- seja de um modo descuidado, como repetir o Seu
nome desnecessariamente, preenchendo espaços numa oração ou num sermão:
“Querido Deus, agradeço Deus pelo alimento Deus. Como é bom Deus ter um Deus
como o Senhor, um Deus forte, um Deus amoroso, um Deus que me aceita Deus”.
- seja confirmando algo que é falso: “Professor,
juro por Deus que eu não copiei o arquivo da minha amiga! Os trabalhos são
parecidos porque nós somos do mesmo quarto e estudamos juntas” (e na verdade, a
única coisa diferente nos arquivos era o nome; até os erros de digitação eram
iguais!).
Explicando o
terceiro mandamento, Ellen White afirma:
“Este mandamento não somente proíbe
os falsos juramentos e juras comuns mas veda-nos o uso do nome de Deus de
maneira leviana ou descuidada, sem atentar para a sua terrível significação.
Pela precipitada menção de Deus na conversação comum, pelos apelos a Ele feitos
em assuntos triviais, e pela freqüente e impensada repetição de Seu nome, nós O
desonramos. "Santo e tremendo é o Seu nome." Sal. 111:9. Todos devem
meditar em Sua majestade, pureza e santidade, para que o coração possa
impressionar-se com uma intuição de Seu exaltado caráter; e Seu santo nome deve
ser pronunciado com reverência e solenidade” (Patriarcas
e Profetas, 313):
Essa citação
de Ellen White me faz pensar em duas coisas: uma negativa e outra positiva. A negativa é
sobre a banalização do nome, do caráter e da pessoa de Deus. Muitos consideram Deus
um amigão, um paizão, um colega, um vigia, um juiz, um vovô, um ditador. Claro,
essas são caricaturas de Deus, que infelizmente nós aprendemos de nossos pais,
professores, de algum adulto, em nossa infância. Se você tem uma imagem
distorcida de Deus, sugiro que você leia estes livros: O abraço de Deus e Curando
nossa Imagem de Deus. Imagens distorcidas de Deus nos levam à banalização
de Deus, e ao desrespeito a Ele.
O aspecto
positivo no qual pensei em função da citação anterior de Ellen White, é sobre a
majestade, pureza e santidade de Deus. Não dá para compreender o que isso
realmente significa, porque nossa mente é limitada. Mas podemos ter uma pálida
noção. Pense, por exemplo, na voz de Deus: como será a voz de Deus? A voz é um
componente fundamental e característico da pessoa. Como será a voz de Deus?
O Salmo 29
nos dá uma pálida noção disso:
3. A voz
do SENHOR é ouvida sobre as águas; o glorioso Deus troveja, e sobre os mares se
ouve a sua voz.
4. A voz
do SENHOR é cheia de poder e majestade;
5. A sua
voz quebra as árvores de cedro, quebra até os cedros dos montes Líbanos.
6. Os
montes Líbanos ele faz saltar como bezerros; o monte Hermom ele faz pular como
um boi novo.
7. A voz
do SENHOR faz brilhar o relâmpago.
8. A sua
voz faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades.
9. A voz
do SENHOR sacode os carvalhos e arranca as folhas das árvores. Enquanto isso,
no seu Templo, todos gritam: “Glória a Deus!”
Que impressionante!
CONCLUSÃO
Deus convida
você a um relacionamento próximo, chegado, mas a um relacionamento de respeito.
Deus é Deus, e Ele não admite ser banalizado. Ele é acessível a qualquer hora e
em qualquer lugar. Mas lembre: Ele é Deus e nós somos criaturas.
É verdade
que Deus está ao seu lado, mas não o trate como um amigão, como uma colega,
porque Ele não é nada disso. Ele é muito melhor que isso.
Na prática,
como esse mandamento funciona? Algumas dicas:
(1)
Seja
reverente no Templo: o Templo é a casa de Deus.
(2)
Seja
reverente na oração: a oração é maneira de falar com Ele.
(3)
Seja
reverente no estudo da Bíblia: a leitura da Bíblia é a maneira de Deus falar
com você.
(4)
Seja
reverente quando está só: comporte-se adequadamente quando ninguém está
olhando, porque Deus está olhando. E ele merece respeito em nossos atos.
Vai chegar o
dia em que Deus poderá lhe dizer: “Querida filha, querido filho: Você me
respeitou; respeitou meu nome, minhas coisas, meus espaços. Você se dirigiu a mim
com fineza, com educação. Você me tratou com honra, e suas ações honraram o meu
caráter. Obrigado por isso. Eu quero viver com você pela eternidade; afinal, já
somos amigos e nos entendemos e respeitamos há muito tempo”.
Você quer
ouvir isso dos lábios de Deus? Certamente que sim. Então, trate Deus com
reverência. Trate Deus com respeito.
Amém!
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