quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

SÉRIE "OS DEZ MANDAMENTOS"


MANDAMENTO 3: REVERÊNCIA

Pr. Adolfo S. Suárez

INTRODUÇÃO

No início de 2012, uma regra criou polêmica na Itália: A Federação Italiana de Futebol resolveu punir quem blafesmar dentro de campo. É isso mesmo. A Federação Italiana de Futebol mandou os árbitros mostrarem cartão vermelho para quem “evocar o nome de Deus em vão”.

O que você acha dessa regra?

Polêmicas à parte, essa regra traz à tona algo que tem se tornado muito comum em diversas circunstâncias e ambientes: o nome de Deus é usado para qualquer coisa, desde piadas de mau gosto, ameaças, brincadeiras, e inclusive para xingamento.

Muitas vezes, a maneira desrespeitosa de se dirigir a Deus acaba se tornando ponto de referência, modelo, especialmente quando isso vem de uma personalidade. Um exemplo disso ocorreu no ano de 1990. Um filme estrelado por Xuxa, chamado Lua de Cristal, popularizou uma expressão que se tornou ícone para alguns adolescentes e jovens na maneira de se referirem a Deus. Na verdade, uma maneira mal-educada de se referir a Deus. Na música tema do filme, a dublê de cantora Xuxa cantarolava assim:

Tudo que eu quiser
O cara lá de cima vai me dar,
Me dar toda coragem que puder,
Que não me falte forças pra lutar
.
            
            “O cara lá de dima”. O que você acha disso? Você pode pensar: “É só uma expressão, sem malícia nenhuma. Uma linguagem compreennsível ao público adolescente”.

            Pense: Se assumimos a existência de Deus, então devemos a Ele um mínimo de respeito. Numa conversa de negócios, ou numa conversa com alguém importante, certamente “cara” não é uma expressão utilizada. Sendo hierarquicamente inferior, ninguém se dirige pessoalmente ao seu chefe ou gerente como “cara”. A personalidade máxima de um país, que é o presidente, não deve ser chamado de “cara”.

            Esta conversa toda nos leva ao 3º mandamento, registrado em Êxodo 20:7: Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

            A Bíblia NTLH, diz assim: “Não use o meu nome sem o respeito que ele merece; pois eu sou o SENHOR, o Deus de vocês, e castigo aqueles que desrespeitam o meu nome”.

            Enquanto que o primeiro mandamento se refere a aspectos internos da adoração, e o segundo mandamento se refere a aspectos externos da adoração, o terceiro mandamento se refere aos aspectos verbais da adoração, especificamente envolvendo o nome de Deus. O terceiro mandamento nos previne contra a banalização do nome de Deus. Nós chamamos a isso de reverência.

            Mas, o que significa exatamente não tomar o nome de Deus em vão? Na Bíblia, o nome de Deus inclui pelo três coisas específicas (The Expositor´s Bible Commentary, volume 2, p 423):

(1)  Sua natureza, Seu ser, Sua própria pessoa (Salmos 20:1; Lucas 24:47; João 1:12; Apocalipse 3:4).
(2)  Seus ensinos ou doutrinas (Salmo 22:22; João 17:6, 26).
(3)  Seus ensinos éticos e morais (Miqueias 4:5).

            De modo que tomar o nome de Deus em vão significa ou desrespeitar sua própria pessoa; ou desobedecer, desrespeitar suas doutrinas; ou desobedecer, desrespeitar seus ensino éticos e morais.

            Por outro lado, usar o nome de Deus em vão significa usar o nome de Deus sem propósito, simplesmente sem razão, sem necessidade:

- seja de um modo leve e ingênuo, do tipo: diante um susto, reagir com uma frase como “Ai meu Deus!”.
- seja de um modo descuidado, como repetir o Seu nome desnecessariamente, preenchendo espaços numa oração ou num sermão: “Querido Deus, agradeço Deus pelo alimento Deus. Como é bom Deus ter um Deus como o Senhor, um Deus forte, um Deus amoroso, um Deus que me aceita Deus”.
- seja confirmando algo que é falso: “Professor, juro por Deus que eu não copiei o arquivo da minha amiga! Os trabalhos são parecidos porque nós somos do mesmo quarto e estudamos juntas” (e na verdade, a única coisa diferente nos arquivos era o nome; até os erros de digitação eram iguais!).

            Explicando o terceiro mandamento, Ellen White afirma:Este mandamento não somente proíbe os falsos juramentos e juras comuns mas veda-nos o uso do nome de Deus de maneira leviana ou descuidada, sem atentar para a sua terrível significação. Pela precipitada menção de Deus na conversação comum, pelos apelos a Ele feitos em assuntos triviais, e pela freqüente e impensada repetição de Seu nome, nós O desonramos. "Santo e tremendo é o Seu nome." Sal. 111:9. Todos devem meditar em Sua majestade, pureza e santidade, para que o coração possa impressionar-se com uma intuição de Seu exaltado caráter; e Seu santo nome deve ser pronunciado com reverência e solenidade” (Patriarcas e Profetas, 313):

            Essa citação de Ellen White me faz pensar em duas coisas: uma negativa e outra positiva. A negativa é sobre a banalização do nome, do caráter e da pessoa de Deus. Muitos consideram Deus um amigão, um paizão, um colega, um vigia, um juiz, um vovô, um ditador. Claro, essas são caricaturas de Deus, que infelizmente nós aprendemos de nossos pais, professores, de algum adulto, em nossa infância. Se você tem uma imagem distorcida de Deus, sugiro que você leia estes livros: O abraço de Deus e Curando nossa Imagem de Deus. Imagens distorcidas de Deus nos levam à banalização de Deus, e ao desrespeito a Ele.

            O aspecto positivo no qual pensei em função da citação anterior de Ellen White, é sobre a majestade, pureza e santidade de Deus. Não dá para compreender o que isso realmente significa, porque nossa mente é limitada. Mas podemos ter uma pálida noção. Pense, por exemplo, na voz de Deus: como será a voz de Deus? A voz é um componente fundamental e característico da pessoa. Como será a voz de Deus?
O Salmo 29 nos dá uma pálida noção disso:

3. A voz do SENHOR é ouvida sobre as águas; o glorioso Deus troveja, e sobre os mares se ouve a sua voz.
4. A voz do SENHOR é cheia de poder e majestade;
5. A sua voz quebra as árvores de cedro, quebra até os cedros dos montes Líbanos.
6. Os montes Líbanos ele faz saltar como bezerros; o monte Hermom ele faz pular como um boi novo.
7. A voz do SENHOR faz brilhar o relâmpago.
8. A sua voz faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades.
9. A voz do SENHOR sacode os carvalhos e arranca as folhas das árvores. Enquanto isso, no seu Templo, todos gritam: “Glória a Deus!”

Que impressionante!

CONCLUSÃO

            Deus convida você a um relacionamento próximo, chegado, mas a um relacionamento de respeito. Deus é Deus, e Ele não admite ser banalizado. Ele é acessível a qualquer hora e em qualquer lugar. Mas lembre: Ele é Deus e nós somos criaturas.
É verdade que Deus está ao seu lado, mas não o trate como um amigão, como uma colega, porque Ele não é nada disso. Ele é muito melhor que isso.

            Na prática, como esse mandamento funciona? Algumas dicas:

(1)  Seja reverente no Templo: o Templo é a casa de Deus.
(2)  Seja reverente na oração: a oração é maneira de falar com Ele.
(3)  Seja reverente no estudo da Bíblia: a leitura da Bíblia é a maneira de Deus falar com você.
(4)  Seja reverente quando está só: comporte-se adequadamente quando ninguém está olhando, porque Deus está olhando. E ele merece respeito em nossos atos.

            Vai chegar o dia em que Deus poderá lhe dizer: “Querida filha, querido filho: Você me respeitou; respeitou meu nome, minhas coisas, meus espaços. Você se dirigiu a mim com fineza, com educação. Você me tratou com honra, e suas ações honraram o meu caráter. Obrigado por isso. Eu quero viver com você pela eternidade; afinal, já somos amigos e nos entendemos e respeitamos há muito tempo”.

            Você quer ouvir isso dos lábios de Deus? Certamente que sim. Então, trate Deus com reverência. Trate Deus com respeito.

            Amém!

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